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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

[A Traição à Brunhild]




-Não! Fique longe de mim!!- Grita Brunhild
O estranho aproxima-se cada vez mais e, num gesto abrupto, agarra-lhe o braço:
-Não resista, bela mulher! Se resistir será pior para você!
No entanto a voz do estranho soa vagamente familiar para Brunhild, mas ela pensa ser ele um enviado de Odin para puni-la.
Ela se solta do homem e corre para a entrada da caverna. Retira o Anel do dedo e o ameaça:
-Afaste-se maldito! Esse anel é mágico e me protegerá!
Mas ela não sabe que um anel maléfico não tem poder para proteger...apenas para destruir seu usuário.
O estranho toma-lhe o anel da mão e diz:
-Essa jóia agora também me pertence, pois a partir desse instante eu, Gunther, da nobre casa dos Gibichungs sou seu legítimo esposo!
A verdade é que o estranho não era ninguém menos que Siegfried disfarçado com o Elmo de Tarn, que havia tomado uma poção e se esquecera de Brunhild.
Depois de colocar o anel em seu próprio dedo, ele lhe dá um ultimato:
-Vamos, chega de resistência! Não me obrigue a violá-la.
Acuada e sem defesa, Brunhild não vê outra saída além de seguir o rude homem ao interior da caverna. Antes de entrar, porém, ele saca de sua espada e a eleva em juramento solene:
-Notung, agora você ficará entre mim e a noiva de Gunther para que eu não rompa meu acordo nem o desonre, tendo relações com sua noiva.

Siegfried então leva Brunhild para o reino dos Gibichungs para que se case com Gunther, sem que ela saiba do que se passa. Chegando ao Reno ele troca de lugar com Gunther e parte na frente para o palácio. Ao chegar no palácio, encontra Hagen sonolento e Gutrune, a qual abraça apaixonadamente...ainda vítima da poção do amor. Hagen, porém, nota que Siegfried carrega no dedo o Anel dos Nibelungos, e começa a tramar sua morte com planos ardilosos. O povo recebe seu rei e sua nova rainha com festejos e empolgação. Mas Brunhild está abatida e não demonstra felicidade alguma ao desembarcar na condição de "noiva trofél".
Mas Gunther exclama para a multidão:
-Aqui está, meus súditos, uma rainha digna de vós todos! Nenhuma rainha poderia ser mais nobre, sendo filha que é do próprio Odin!
O povo dá vivas frenéticamente, então Gunther os silencia com um gesto:
-Haverá dois casamentos!- diz ele dando a boa nova ao povo- Pois minha irmã Gutrune também se casará, com Siegfried, o maior dos heróis, cujo sangue também descende de Odin!!!

Ao ouvir o nome de seu amado, Brunhild fica em choque. Levantando a cabeça, que mantivera sempre abaixada, lentamente ela o encara.
-Siegfried?...- diz ela, que treme de maneira descontrolada- É mesmo você?
A jovem o olha no fundo dos olhos, mas ele não a reconhece mais:
-Sim, sou Siegfried! Verdadeiro herói! E vou me casar com Gutrune, irmã de Gunther, que passou a ser meu próprio irmão desde que unimos nosso sangue num pacto inviolável.
-Mas...como pode? Não me reconhece então?
-Lamento, Brunhild, mas nunca a vi em minha vida.

Brunhild entra em profundo desespero e chora descontroladamente. Confusa, reclama do destino aos gritos.
É neste instante que repara o Anel no dedo de Siegfried...o anel que Gunther havia tirado dela na caverna...
E como poderia ele estar em seu dedo?

[continua no próximo capítulo]

terça-feira, 20 de julho de 2010

[A visita de Waltraute]

[Waltraute vem alertar Brunhild]


[capítulos anteriores...]
[1] Brunhild- A valkyrja que desafiou Odin
[2] Mas o que aconteceu à Sieglind?
[3] O encontro entre Siegfried e Brunhild
[4]Os Gibichungs


No alto de uma montanha, Brunhild está entregue aos próprios pensamentos. Siegfried partiu para desbravar o mundo em busca de aventura e fama; ela lhe ensinou tudo o que sabia; ela lhe cedeu tudo o que tinha. Tendo colocado a própria vida em risco para salvar a vida da mãe de Siegfried, Sieglind, da ira de Odin, Brunhild perdeu sua imortalidade e seu lugar entre as Valkyrjor*, sendo condenada a viver num corpo humano a vida de uma simples mulher. Mas ainda assim o amava, e guardava a promessa de que ele voltaria enquanto contemplava o anel que ele deixou em seu dedo...o Anel dos Nibelungos.

Nesse momento ela ouve trovões e uma nuvem negra se aproxima da montanha. Assustada, ela se indaga quem se aproxima, já percebendo que se trata de uma de suas irmãs...uma Valkyrja*.
Brunhild não pode conter sua felicidade ao reencontrar sua irmã:
-Oh Waltraute!! Que boa notícia me trás? Terei enfim o perdão de meu pai? Poderei voltar a ser uma valkyrja?
-Infelizmente irmã, as notícias que lhe trago são as piores...Nosso pai Odin está prestes à mergulhar todos os deuses na ruina e somente você poderá salvá-lo!
-O que está acontecendo irmã?
-Odin abandonou o Valhalla a muito tempo e se tornou um andarilho. Um dia enfim ele retornou, e sua lança estava quebrada!
-Sua lança Gungnir...quebrada?
-Sim.

Brunhild ainda não sabe que foi Siegfried quem partiu a lança de Odin, seu próprio avô, no duelo que travaram na floresta.

-Um herói a partiu minha irmã!- diz Waltraute inconsolável- desde então nosso pai entrou em tal estado de prostração que ordenou aos einherjar* que destruissem Yggdrasil e empilhassem sua madeira nos portões do Valhalla! Loki apenas aguarda um sinal para lançar suas chamas sobre o lenho empilhado, para por um fim definitivo aos deuses e ao próprio mundo!
-Isso é horrível irmã! -disse Brunhild- Mas o que posso fazer, estando ainda sob o peso da maldição que Odin nosso pai me lançou?
-Brunhild, vc tem o Anel em seu poder! -diz Waltraute esperançosa- Nosso pai disse que se as Ninfas do Reno recuperarem seu ouro, a maldição de Alberich será quebrada e os deuses poderão viver em paz novamente com os homens!
-Não! O Anel é meu!!- exclama Brunhild consternada- Foi um presente de Siegfried! E só eu e ele sabemos o que lhe custou para tomá-lo de Fafner! Por isso jamais o devolverei!
-Brunhild....ele é muito importante para Odin!
-Ele é mais importante para mim! É uma prova de amor de Siegfried e vale muito mais para mim do que o orgulho de meu pai e o Valhalla inteiro! Por causa do amor que dediquei aos pais de Siegfried, meus irmãos, e depois deles à ele próprio é que fui encerrada aqui. Foi por ele que enfrentei a ira e o orgulho de Odin. Agora Ele deve esperar que seu próprio orgulho salve o mundo do qual, de forma violenta, ele mesmo me excluiu!

Amargurada e vendo que sua irmã não mudará jamais de opinião, Waltraute parte, com a certeza de que tudo acabará em muita dor e sofrimento e fogo.

Brunhild fica novamente só, entregue aos próprios pensamentos, diante da notícia de que o mundo está prestes a acabar. Sua saudade por Siegfried aumenta, e então como se fosse uma resposta, as chamas ao redor da montanha se intensificam.
-As chamas aumentaram de intensidade! É Siegfried que retorna!- diz ela sem conter a felicidade.

Um homem realmente acaba por transpor as chamas, mas ele não tem a aparência de Siegfried....
Caminhando firmemente, ele avança na direção de Brunhild....

[continua no próximo capítulo...]

Valkyrja: do Norse antigo "aquela que escolhe os mortos";
plural: Valkyrjor
Einherjar: espectros de guerreiros escolhidos entre os mortos nas batalhas pelas Valkyrjor.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

[Tarvos Trigaranus - O Touro e os Três Grous]

Há muito tempo quando o mundo era jovem, uma coisa maravilhosa e extraordinária aconteceu. No início da Primavera, próximo ao poço da Deusa Coventina, um filhote de Touro veio ao mundo. Logo no início se poderia ver que não era um filhote de touro comum. Seu pelo vermelho e dourado brilhava e a sua forma era perfeita. Os seus olhos eram os olhos do Sol.

O Touro dourado estava a correr e a brincar quando três grous apareceram. Eles dançavam em seu redor como um círculo solar, e ele, de repente, muito solenemente, curvou a sua cabeça perante eles três vezes.

Como a Primavera se estendia até parte do início do Verão, Ele cresceu muito depressa e logo se tornou um Touro adulto. Nunca houve um touro como ele, e a sua fama espalhava-se cada vez mais. Animais, mulheres, crianças, homens e Deuses vieram admirar a sua beleza. Mas aonde quer que fosse, os três grous iam também. Eles eram os seus companheiros inseparáveis.

Os seus dias eram cheios de alegria sem fim, e o mundo cheio de flores, pois nessa época o mundo não conhecia o Inverno.

Esus, o Deus Caçador, vagueava pelos campos e florestas do mundo procurando um animal valioso para seu apetite, mas não encontrou nenhuma animal que o satisfizesse.

No início de uma bonita manhã, ele estava num campo onde viu o Touro e os três grous. Bastou olhar para o Touro e Esus soube que a sua busca tinha terminado. Ele tirou a sua poderosa lâmina e chegou-se até o Touro adormecido, mas os três grous perceberam o perigo e deram um grito de alarme!

O Touro levantou-se para entrar em batalha com Esus, pois seus chifres dourados eram armas formidáveis. O Deus e o Touro divino chocaram-se em combate.

Eles lutaram durante todo o dia e toda a noite, mas nenhum dos dois parecia ser melhor que o outro. A luta continuou por muitos dias.

Foi numa noite, na escuridão da lua, quando o Touro finalmente começou a ter as suas forças abatidas, debaixo de um grande salgueiro, que Esus derrotou o Touro divino com um golpe mortal.

Seu sangue foi derramado pelas raízes do salgueiro, e as suas folhas tornaram-se vermelho dourado nesse mesmo instante, por verdadeira tristeza e mágoa.

Os grous fizeram um enorme som de choro. Um deles voou para a frente, e com um pequeno recipiente, pegou um pouco de sangue do Touro. Os três grous partiram voando para o sul.

Uma escuridão ameaçadora desceu à Terra. As flores murcharam e as folhas das árvores caíram. O sol perdeu o seu calor. O mundo ficou gelado e a neve caiu pela primeira vez.

A humanidade rezou para que a Toda mãe trouxesse o calor de volta, ou todos pereceriam. Ela ouviu e sentiu pena da natureza.

Os três grous voltaram do sul, com um deles ainda segurando o recipiente. Ele voou para o salgueiro onde o Touro divino tinha sido assassinado e derramou o seu sangue pela terra. De repente, surgiu do pó um bezerrinho, renascido da Mãe-Terra!

Toda a natureza se rejubilou. O verde e as flores cresceram, as folhas brotaram das árvores e a Primavera voltou ao mundo.

Porém o Deus Caçador, Esus, ouviu falar sobre o renascimento do Touro e procurou por Ele.

Esse foi o início do ciclo que persiste até hoje. Esus sempre derrota o Touro divino mas a Mãe-Terra sempre o faz renascer.

A história de Esus e Tarvos é uma representação simbólica do caminho do Sol à medida que se move através do ciclo anual.

Tarvos é um símbolo da vida, renascido a cada ano das sementes do ano anterior. Esus é um símbolo da morte que caça durante toda a vida. Tarvos, acompanhado pelos três grous cinzas, que são as representantes da Deusa, move-se do nascimento ao auge da vitalidade e da vida, em que é morto por Esus, que simboliza a colheita e as forças da morte. Mas o seu sangue é recolhido tornando-se o sangue da vida e a semente para a renovação dos ciclos da vida.

[[_l_]] Retirado do livro Rituais Celtas de Andy Baggott
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Esses dias eu tive um sonho bem curioso. Sonhei que estava na casa de um tio meu (embora a casa do sonho não fosse a dele). A casa estava toda escura...as pessoas estavam dormindo...só eu estava acordada. Estava de dia lá fora e eu fui olhar a rua. Da garagem, pelas grades, eu vi um touro dourado caminhando na rua. Fiquei impressionada pois ele não parecia com nada que eu tivesse visto (tipo...só vi touros brancos...pretos...marrons no máximo...mas amarelo??)-(e muito peludo!). Sai correndo pra dentro da casa pra tirar uma foto com o celular da minha mãe. Nessa que eu tirei a foto, o Touro me viu... Eu fiquei assustada e entrei pra dentro da casa, confiante que o portão estava trancado e o Touro não entraria. Foi ai que eu vi ele empurrando o portão!!! E sem fazer força nenhuma...como se o portão só estivesse encostado, ele entrou pela garagem. Desconcertada, fechei a porta da sala confiando que ele não ia querer entrar na casa, enquanto tentava avisar as pessoas da casa que tinha um touro na garagem. O Touro empurrou a porta da sala!!! E foi entrando! Não com raiva...nem correndo...ele simplesmente entrou! Eu sai andando rápido (pq não queria que ele pensasse que eu estava com medo)-(e eu estava com um pouco), e me fechei no quarto dos fundos. Estavam todos lá...meus parentes...dormindo! E eu gritando que tinha um Touro amarelo entrando na casa! Nessa o Touro abriu a porta do quarto!! Ele tinha uma cabeça enorme! Era todo peludo e dourado (e eu sabia que era divino...de alguma forma eu sabia). Nessa hora eu acordei. Virei pro lado e tentei sonhar com outra coisa. Mas todos os sonhos que eu tinha...lá vinha o touro entrando por alguma porta pra chegar perto de mim, se intrometendo nos meus sonhos! Então decidi voltar no sonho da casa. Meu tio tentou assustar o Touro! (ou atirar algo nele) Eu o impedi com medo de ofender o animal. Uma menina que eu não sei quem era, mas acho que era eu mesma criança, chegou perto do touro e encostou a mão na cabeça dele. Ele se desfez em pessoas/deuses/fadas. Havia uma mulher de branco. Então ele voltou a ser Touro novamente, e o sonho acabou. Foi engraçado que a casa estava toda escura antes do Touro entrar nela...mas enquanto ele caminhava pra dentro, as luzes iam se acendendo sozinhas...e quando ele chegou no quarto todos acordaram.
Ele era parecido com essa imagem que eu consegui pegar pelo google:

Parece que esse tipo de touro é da Escócia (Highlands). Foi estranho pq esse sonho foi na Lua Nova antes de Yule. Eu pensei então: será que existe algum mito sobre um Deus Touro que tenha a ver com o solstício de inverno? E lá estava Tarvos.

O Touro simbolizava para os celtas a força, a realeza a fertilidade. Existia um ritual druida chamado tardh feis (banquete do touro), onde um druida xamã comiam a carne de um touro branco recém-abatido e depois embrulhava-se em seu couro. Em seguida, deitava-se e dormia enquanto quatro druidas cantavam ao seu redor. Isso induzia à um sonho profético que indicava quem deveria reinar como legítimo rei.
O Grou é um passaro que está ligado às mulheres, mas em geral com o lado mais escuro do feminino. É geralmente relacionado à morte e ao Mundo Subterrâneo, como na história do herói irlandês Finn, que tem um encontro com Cailleach an Teampuill ("A Bruxa do Templo") e seus quatro filhos. Os filhos aparecem na forma de quatro grous da morte que podem apenas tornar-se novamente humanos se forem espargidos com o sangue de um touro mágico.
O Salgueiro é uma árvore que gosta de lugares com muita água, e quando seus ramos são cortados e plantados, cria raízes e transforma-se numa nova árvore; daí sua associação com o crescimento e renascimento. Sua afinidade com a água fez com que fosse associado à Lua também.

Existe um pilar chamado Pillar of the Boatmen (Pilier des Nautes) que contem imagens em baixo relevo de um touro e tres grous debaixo de uma árvore (salgueiro). Sobre o entalhe, está escrito [Tarvos Trigaranus]. Num dos lados desse pilar também esta Esus, cortando uma árvore de salgueiro com um machado. O pilar foi construido do lado de fora de um dos templos da antiga cidade Galo-Romana de Lutetia, uma ilha no meio do rio Sena. Em algum momento antes do terceiro século, o pilar foi quebrado em dois e usado para reforçar as fundações das paredes ao longo do rio. A catedral cristã de St. Etienne foi fundada por Childebert em 528 e.c. no local do antigo templo Galo-Romano. Notre-Dame de Paris foi construida sobre ela em 1163 e.c.
O pilar foi re-encontrado no dia 6 de março de 1710 durante a construção de uma cripta embaixo da nave de Notre-Dame. Nem todas as partes foram recuperadas; para 3 das fileiras restaram apenas a parte superior. Depois da descoberta, os blocos de pedra foram tomados pelo Hôtel de Cluny, um edifício eclesiástico medieval construído por cima dos restos de uma antiga casa de banho romano do segundo século. Este se tornou o Musée de Cluny e logo, o Musée national du Moyen Age.
Em 2001, os blocos foram restaurados, retirando a pátina preta da sujeira que se tinha acumulado na superfície da pedra junto aos três séculos desde a descoberta. As pedras restauradas estão mais uma vez na exposição no museu.







terça-feira, 2 de março de 2010

([A Henna e a Insurreição no Hadramaute])

Em celebração (antecipada) à Segunda Vermelha, escolhi uma das histórias mais significativas que eu já li sobre a força das mulheres e sua coragem, mesmo frente aos piores desafios. Essa história foi retirada e traduzida do site Henna Page, onde a escritora Catherine Cartwright-Jones, pesquisadora e apaixonada pela história da henna e suas tradições, conta como foi a Insurreição das mulheres no Hadramaute (sul da península Arábica), quando da morte do profeta Mohammed. A coragem dessas mulheres não deve ser esquecida...

-----------([§§])-------------

Quando o profeta Mohammed morreu em 632 e.c., muitas tribos árabes se recusaram a pagar impostos ao sucessor do profeta, Abu Bakr, primeiro califa. Em algumas regiões, havia uma rebelião aberta contra o frágil recentemente estabelecido estado islâmico. Em Kinda e Hadramaute, regiões do Yemen, um grupo de seis mulheres celebraram a morte do profeta com deleite e alegria. Pintaram suas mãos com henna, cantaram canções da vitória, dançaram, e tocaram seus tamborins. Outras vinte e duas mulheres se juntaram à rebelião política. Igualmente com as mãos pintadas de henna na celebração da vitória.

Duas destas mulheres rebeldes eram avós, uma era mãe, e a maioria eram donzelas, três da classe nobre, e quatro de uma tribo real. Os líderes do Yemen vieram desta tribo real. Sua rebelião de encontro ao estado islâmico era significativa, porque as mulheres no Yemen eram poderosas politicamente, e somente seus filhos governariam a região. As mulheres no Yemen tinham sido governantes e estrategistas políticas e militares desde a época da Rainha de Sabá, e mesmo antes. Se a revolta destas mulheres contra o califa ganhasse sustentação, o domínio islâmico sobre a área valiosa do Yemen poderia desmoronar.


O governante de Kinda no Yemen escreveu uma queixa ao califa sobre a celebração de vitória das mulheres, como ela ameaçou minar sua autoridade e desestabilizar a região. O califa recebeu essas queixas de revolta, e ordenou que as mãos das mulheres pintadas com henna fossem cortadas como retaliação por sua rebelião. Igualmente requisitou que qualquer um que defendesse essas rebeldes, ou interferisse com os soldados que viessem decretar o julgamento do califa, fossem decapitados. O fato de que as mulheres estivessem com henna nas mãos era uma evidência crucial de sua culpa, porque as manchas de henna permaneceriam nas mãos das mulheres por um tempo como evidência. Suas manchas nas palmas durariam por um mês, e suas unhas trairiam sua participação na revolta por até seis meses. Aqueles que participaram no ato da rebelião seriam identificados facilmente por suas manchas de henna. As mulheres que tinham ficado de luto pela morte do profeta não usaram henna, pois a henna é abstida nos períodos de lamentação ou luto.

O califa declarou que era blasfemo para mulheres ao aplicar henna por alegria para a morte do profeta de deus. Esta declaração é importante em diversos aspectos. Implicou que havia uma tradição conhecida de se aplicar henna para a vitória sobre um inimigo, implicou que a henna esteve associada com vitória e alegria mais do que com luto, e designou este específico ato como blasfêmia porque colocou a morte do profeta como ocasião de alegria mais do que luto. A ação das mulheres foi interpretada conseqüentemente como provocação à vontade de deus, delegada pelo profeta Mohamed, reforçado com o regime militar do califado. Esta era uma interpretação política crucial da palavra divina, através do profeta, decretado pelo califa. Conseqüentemente, além deste enlace, sua ação foi determinada blasfema contra a vontade de deus, e não uma rebelião política. Para suportar essa determinação, e desacreditar estas mulheres, o califa referiu-se a elas como meretrizes e prostitutas. Entretanto, as avós e as meninas não tinham idade para trabalhar com sexo, e 7 eram de nascimento nobre. A violência e a velocidade desta punição implicam que o status social das mulheres e as conexões implícitas da família lhe fizeram uma ameaça política potencial à autoridade militar muçulmana em Yemen. Suas atividades sexuais eram provavelmente de pouco interesse, mas quando o califa as denominou meretrizes, este negou seu status como mulheres de berço nobre e politicamente influentes. Suas mãos cometeram um ato blasfemo, e sua henna testemunhou sua recusa a se submeter à vontade de deus. Suas mãos deviam ser removidas.

O assassinato de mulheres honoráveis, nobres, seria um crime imperdoável, e os parentes apressar-se-iam para a vingança, desestabilizando a estrutura política na região. Como somente suas mãos foram eliminadas, a clemência de deus potencialmente permitiu que elas sobrevivessem à mutilação. A punição foi delineada como uma punição das mãos que celebrou uma blasfêmia, cuidadosamente evitando a sua nobreza e desencorajando nova rebelião. Com a honra das mulheres impugnada, as mutilações foram incontestadas, e a insurreição militar potencial foi esmagada.

[@]Retirado do site The Henna Page

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

[Morrigan]


(...)Pollio foi até a casa de Boudica após a morte do marido dela...Prasutagos. Segundo a lei romana, uma mulher não pode governar soberana como rainha. A intenção dele era casar-se com ela, pois desde muito tempo era apaixonado pela senhora dos cabelos flamejantes, a rainha dos icenii. Também desejava casar as filhas dela com cidadãos romanos....tudo para que os malditos romanos tomassem a Bretanha e suprimissem todo tipo de revolta.

-Não. - Ela puxou o braço, sorrindo para demonstrar alguma piedade
-Você não entende! Casarei com você! - Ele a agarrou novamente, puxando-a para si.
-É você que não entende...- A voz dela era baixa e perigosa. -Fui mulher de um rei, de um homem parecido com o próprio Deus Bom! Não irei para a cama com você, porco romano, nem que isso me custe uma escravidão!- Cuspiu no rosto dele.
-E pode custar!- ele sibilou, agarrando o outro braço dela.- Você não tem escolha, sua cadela...você precisa de um amo e, com Júpiter por testemunha, se não deitar na minha cama, vou possuí-la aqui mesmo, no chão!

Pollio tentou agarrar os seios de Boudica e o alfinete do ombro da túnica dela desprendeu-se. Nesse momento ela se recuperou do choque e se desprendeu dele. Vociferando Pollio tentou agarrá-la outra vez. Eles cambalearam para perto da lareira, Boudica o agarrou pelos pulsos e o atingiu na virilha com uma força brutal, enquanto ele se contorcia ela o empurrou para o fogo.

Num segundo o lugar foi invadido por soldados romanos armados.
-Peguem-na!
Os soldados arrastaram Boudica para fora da casa até o cercado. - Amarrem-na ali, e chicoteiem-na até sangrar!
Alguém rasgou a parte de trás de seu vestido, e amarrou seu cabelo com um cordão.
Boudica pensou incrédula "Os escravos eram chicoteados. Não as mulheres livres...nem as rainhas."
Boudica não gritou por si mesma, em meio a dor, enquanto o chicote estalava em suas costas......mas algo mudaria isso.

"Eu consigo suportar...., pensou, e depois me vingarei..."

Viu de soslaio que Rigana, sua filha mais velha, vinha correndo da casa das mulheres, brandindo uma lança.
-Soltem-na! - ela gritou, agachando-se e preparando-se para o ataque.
-Vejam, uma gladiadora!- Às gargalhadas, um dos homens apontou para Argantilla, a filha mais nova de Boudica, que se aproximava com um escudo.
-Voltem!- Boudica só conseguiu grunhir. - Voltem para dentro de casa!
Os soldados riram alto, as jovens não conseguiram ouvir a mãe. Enquanto isso as chicotadas continuavam...
-Quattuor, quinque...
Rigana avançou na direção de um soldado brandindo a lança. Ainda rindo, um dos legionários sacou a espada e desviou a lança com um golpe. Logo depois um homem agarrou-a pelas costas, enquanto o primeiro a desarmava.
-Arranque as garras dela...-disse Pollio irado, com os olhos ávidos ainda cravados em Boudica.- A leoa está acorrentada! Faça o que quiser com a leoazinha...e com a irmã dela...e que essas cadelas abram as pernas para Roma!
-NÃO!- gritou Boudica como não tinha gritado pela própria dor. -Não com minhas filhas, com elas não, por favor...-Ela perdeu o fôlego e o soldado retomou o trabalho de chicoteá-la.

Eles já tinham rasgado a túnica de Rigana que se debatia com os seios à mostra e dava pontapés violentos, quando um soldado puxou o resto da túnica e meteu as mãos entre as coxas dela.
-Sedecim....viginti...
As chicotadas estalavam rasgando o ar e as costas de Boudica..."Não com minhas filhas, não com meus bebês, não com minhas garotinhas..."
A carne açoitada retesou-se em ondas nauseantes. Fogo e sombra pulsavam atrás dos olhos dela.
Os homens já tinha as duas jovens no chão. Boudica se debateu e gemeu quando as filhas começaram a gritar. Não podia protegê-las...não conseguia soltar-se! Suas filhas amadas estavam sendo estupradas...
-Salve-as! Salve-me!- A fúria reprimida voltava-se para dentro dela, destruindo os limites da identidade.

E das profundezas...muito além da razão, ecoou uma Voz que ela ouvira muito tempo antes....

-Deixe-me...

O chicote açoitou-a, dividindo o eu do eu interior. Boudica tombou ainda presa pelas cordas à medida que a carne ferida e o espírito se soltavam.

E com um grito igual aos dos corvos dos campos de batalha, Morrigan acudiu.

Ela aprumou-se. As amarras foram partidas uma a uma. O sangue jorrava das costas feridas de Boudica quando Ela virou-se. Os homens recuaram, atônitos. Os soldados que retinham as jovens também recuaram. A Deusa agarrou o homem que estava em cima de Rigana e o arremessou para o lado, e arrebentou o outro que estava com Argantilla....
Então a vingança da Deusa começou........
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[Morrigan e Cúchulainn]

Muito do que se encontra sobre Morrigan na internet (como sobre outros assuntos que a gente pesquisa) é Ctrl+c Ctrl+v uns dos outros. Há pouca informação sobre ela...não vai muito além das correspondências e características básicas. O texto anterior é um resumo de uma das cenas onde Morrigan se manifesta no livro Os Corvos de Avalon (recomendadíssimooooo), que conta a história de Boudica, rainha dos icenii (icenos)...e de como ela quase conseguiu expulsar os romanos da Bretanha. É um romance histórico criado por Marion Zimmer (As Brumas de Avalon) e sua amiga Diana Paxson.

Morrigan está nas histórias do Ciclo de Ulster, onde ela aparece para Cúchulainn.
No Táin Bó Regamna (Invasão do gado em Regamain), ele a desafia, sem compreender o quê ela é, quando ela guia uma novilha por seu território, tornando-se seu inimigo:

Cuchulainn, como guardador e protetor de Ulster, observa uma mulher que conduzia uma carroça. Ao seu lado caminha um senhor e uma vaca presa por uma corda. Ao abordá-los, indaga ao homem como conseguiram a vaca. Quem responde é a mulher e ele irritado retruca:

-"Uma mulher não deve responder por um homem."

Volta-se novamente ao homem e pergunta seu nome. A mulher volta a responder por ele e Cuchulainn, totalmente fora de controle salta em cima dela e aponta a lâmina de sua espada para a cabeça da mulher. Nervosa, ela explica que recebera a vaca como presente por ter recitado um belo poema e que recitaria para ele se saísse de cima dela. Cuchulainn ouviu a declamação dos versos e quando se prepara para voltar a atacar a mulher, percebe que a carruagem e a mulher haviam desaparecido e em seu lugar ficou um corvo pousado em um galho que lhe diz que está ali "guardando a sua morte". Dessa vez, têm consciência que é a própria Deusa Morrigan e que ela veio avisá-lo que sua morte é iminente..

No Táin Bó Cuailnge a Rainha Medb de Connacht comanda uma invasão ao Ulster para roubar o touro Donn Cuailnge. Morrígan surge ao touro na forma de um corvo, e o previne para fugir. Cúchulainn defende o Ulster, travando no vau dum rio uma série de combates contra os campeões de Medb. Entre os combates, Morrígan lhe surge, com aparência de uma bela moça, oferecendo-lhe seu amor e auxílio na batalha - mas ele a rejeita. Como vingança ela interfere no seu próximo combate, primeiro assumindo a forma de uma enguia, fazendo-o tropeçar; depois, com a forma de uma loba, provocando um estouro da boiada, e finalmente como uma novilha que conduz o rebanho em fuga - tal como havia ameaçado em seu primeiro encontro.

Cúchulainn é ferido por cada uma das formas que ela assume mas, apesar disso, consegue ferir cada um dos animais. Ao final ela reaparece-lhe, como uma velha que trata-lhe os ferimentos causados por suas formas animais, enquanto ordenha uma vaca. Ela oferece a Cúchulainn três copos de leite. Ele a abençoa por cada um deles, e então as feridas da deusa também são curadas.

Antes de uma nova batalha contra os guerreiros de Connacht, Cathbad e Cuchulainn passeavam a margem do rio, quando avistaram a "Lavadeira do Vau", um tipo de mulher-fantasma que freqüenta as margens dos rios e arroios, chorando e lavando as roupas e as armas sujas de sangue, dos guerreiros que morrerão em combate.

Cathbad diz então:

-"Você vê Cuchulainn, a filha de Badb lavando seus restos mortais? É o prenúncio de sua morte!". Entretanto, Morrigan, talvez comovida com o trágico fim de Cuchulainn, desaparece com a carruagem de combate enquanto ele dormia. Mas nada o impedirá de ir de encontro ao seu já traçado destino. No dia seguinte, no fervor da batalha, Cuchulainn gravemente ferido, amarra-se ao pilar de uma pedra e segue lutando. Quando está próximo da morte, Morrigan aparece pela última vez, agora como um corvo que pousa no ombro do valente herói e depois salta ao solo para devorar as vísceras do corpo dilacerado de Cuchulainn.
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[Morrigan e o Dagda]

É dito que Morrigan é uma designação para a combinação de três deusas da guerra.
Às vezes surge como uma de três irmãs, as filhas de Emmas: Morrígan, Badb e Macha. Por vezes a trindade consiste em Badb, Macha e Nemain - coletivamente conhecidas como as Morrígan ("Terror" ou "Rainha Fantasma"), também escrita Mórrígan ("Grande Rainha")-(aka Morrígu, Mórríghean, Mór-Ríogain).

É uma deusa da guerra, da vingança e da morte. Do renascimento, do destino, da mudança e da justiça. É a protetora de todas as sacerdotisas e a que impulsiona os guerreiros para suas vitórias ou derrotas.
Há evidências arqueológicas do culto a Morrigu (como também é conhecida), desde a Era do Cobre nas regiões da Espanha, França, Portugal, Inglaterra e Irlanda. Inúmeras esculturas de uma mulher com cabeça de corvo, gralha ou falcão foram encontradas em sítios arqueológicos dessas regiões, e o corvo é o animal sagrado de Morrigu por excelência.

Morrigan também era tida como uma Deusa que fazia o transporte entre a vida e a morte, uma Deusa pássaro e uma deusa do Outromundo. Existem muitos contos antigos, chamados contos de fadas hoje, que narram a função psicopompe dos corvos...devorando não só os corpos em decomposição dos mortos, mas levando para o outro mundo também suas almas, tanto em campo de batalha como os sacrifícios humanos e mortos em geral (existem muitos vestígios arqueológicos do culto aos mortos onde o corpo da pessoa era deixado para que os corvos viessem e limpassem a carcaça).
A função de Morrigu claramente é variada, o que faz muitos historiadores acreditarem que ela acabou sofrendo uma fusão com atributos de outras inúmeras Deusas celtas menores.

Não existem muitas histórias sobre as origens de Morrigu. Alguns historiadores dizem que ela era conhecida como Moirah quando os Dannans desembarcaram na Irlanda. Era vista como uma Deusa donzela, que tinha suas próprias opiniões, e se apaixonou pelo jovem Dagda. Ela e Dagda se casaram e se uniram às margens do rio Boyne. Ela engravidou, mas como as águas do rio estavam sob os domínios Fomorianos, ao finalmente dar à luz, seu filho Mechi nasceu com três cabeças e deformado. Os druidas o sacrificaram para preservar seu povo, pois o recém-nascido seria o futuro rei e segundo a lei céltica um rei deformado ou mutilado não poderia governar. (lembra do Nuada da Mão de Prata?). Com isso, Moirah foi esconder-se na floresta. Ela permaneceu escondida durante muitos anos até que um dia surgiu usando uma capa com penas de corvos, duas espadas e com a habilidade de mudar de forma. Era uma guerreira habilidosa e nenhum homem ousava opor-se a Moirah, agora conhecida por um novo nome: Morrigu.

A união de Dagda e Morrigu ocorreu em Samhain, antes da batalha que conduziu os Tuatha de Dannan à vitoria contra os Fomorianos, que os dominavam. Quando Morrigu se uniu sexualmente com Dagda, o líder dos Tuatha, isso representou a união do Rei com a Terra, pois só dessa forma seria possível se fortalecer para vencer.

Lugh também foi considerado um dos consortes de Morrigu. Ela aparecia frequentemente nos mitos, na forma de corvo, sobrevoando Lugh e lhe dirigindo incentivos de força e segurança para que ele lutasse bravamente contra os Fomorianos.

Morrigan aparece frequentemente associada às Ben Síde, pelo irlandês moderno "Bean sídhe" ou "bean sí", significando algo como "fada mulher" (onde Bean significa mulher, e Sidhe, fada), ou ainda na forma de uma delas. As Banshee são seres míticos dos povos celtas que se aproximavam dos seres humanos para avisar a morte iminente de pessoas queridas com seus gritos e choros através das noites. Elas eram frequentemente vistas na beira de um rio lavando as roupas e armaduras dos guerreiros que morreriam.
Os povos célticos acreditavam que quando vemos corvos Morrigu está por perto. Guerreiros viam a presença dos corvos como um sinal de morte, ela era Morrigu em seu aspecto de "Lavadeira do Vau".
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[Músicas]


Omnia- Morrigan

Over hills and over meadows
see the crow fly, feel her shadow
Over woods and over mountains
searching for a war

Her wings embrace each strife and battle
where swords they clash and chariots rattle
seeking out the one whose time
has come to take the blade

Morrigan ancient crone of war
I see your face, I'll cry no more
Morrigan ancient crone of war
come lift me on your wings

Morrigan ancient crone of war
I hear your voice, I'll breathe no more
Morrigan ancient crone of war
come set my spirit free

Kill for Morrigan
Maim for Morrigan
Fight for Morrigan
and you will
Slay for Morrigan
Die for Morrigan
Morrigan crone of war
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Omnia- The Raven

Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, tapping at my chamber door.
`'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door -
Only this, and nothing more.'

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; - vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow - sorrow for the lost Lenore -
For the rare and radiant maiden whom the angels named Lenore -
Nameless here forevermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me - filled me with fantastic terrors never felt before;
Presently, to still the beating of my heart, I stood repeating
`'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door -
Some late visitor entreating entrance at my chamber door; -
Merely this, and nothing more,'

Out into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, `Lenore!'
This I whispered, and an echo murmured back the word, `Lenore!'
Merely this and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
`Surely,' said I, `surely that is something at my window lattice;
Let me see then, what thereat is, and this mystery explore -
Let my heart be still a moment and this mystery explore; -
'Tis the wind and nothing more!'

Open wide I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door -
Perched upon a bust of arice just above my chamber door -
Perched, and sat, and nothing more.

Soon that ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
`Though thy crest be shorn and shaven, thou,' I said, `art sure no craven.
Ghastly grim and ancient raven wandering on the nightly shore -
Tell me what thy lordly name is on this Night's Plutonian shore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

Now the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only,
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered - not a feather then he fluttered -
Till I scarcely more than muttered `Other friends have gone before -
On the morrow will he leave me, as my hopes have flown before.'
Quoth the raven, `Nevermore.'

Then, methought, the air grew denser, perfumed by an unseen censer
Swung by Seraphim whose foot-falls tinkled on the tufted floor.
Once more, on the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore -
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking `Nevermore.'

`Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil! -
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert isle enchanted -
On this home by horror haunted - tell me truly, I implore -
Is there - is there balm in Gilead? - tell me - tell me, I implore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil!
By that Heaven streched above us - by that God we both adore -
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels named Lenore -
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels named Lenore?'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Be that word our sign in parting, bird or fiend!' I shrieked upstarting -
`Get thee back into the tempest of the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken! - quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

Now the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of arice just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Will be lifted - nevermore!



[Fontes]

Google xD
Wikipédia
Os Corvos de Avalon
Todas as Deusas do Mundo
Rosane Volpatto

[Os Gibichungs...]

[Brunhild beija o Anel dos Nibelungos]

[capítulos anteriores...]
[1] Brunhild- A valkyrja que desafiou Odin
[2] Mas o que aconteceu à Sieglind?
[3] O encontro entre Siegfried e Brunhild


No grande salão imperial dos Gibichungs, no feudo regido pelo rei Gunther, acontecia uma reunião familiar. Nele estavam reunidos o rei, sua irmã Gutrune e o meio irmão dos dois, Hagen, o filho do anão Alberich e da rainha. Todos estão envolvidos numa discussão sobre como almentar o poder e as riquezas que já possuem em larga escala. Hagen, o filho do anão, tenta convencer seus irmãos, aparentando ele próprio estar completamente desinteressado em qualquer ganho pessoal, de que eles poderiam melhorar sua aparência diante do grande quadro da estirpe dos Gibichungs (os filhos de Gibich).

Hagen propõe que Gutrune se case com o herói Siegfried, pois esse seria um casamento afortunado, visto que nas veias de Siegfried supostamente corria sangue divino.
E para Gunter, Hagen propõe que este se case com Brunhild, ela própria uma ex-valkyrja, detentora dos tesouros que seu amante Siegfried deixara para ela.

Ora! Mas todos sabiam que Brunhild e Siegfried era amantes, e que um não deixaria o outro por qualquer pessoa que seja, fosse rei ou rainha. Indignaram-se então, Gutrune e Gunther, com seu irmão Hagen, por estar-lhes criando ilusões e desejos impossíveis.

-Impossível isso....impossível aquilo.- diz Hagen, quase perdendo a compostura. - E se vos disser que graças à meu pai tenho em meu poder uma poção capaz de fazer Siegfried esquecer-se de Brunhild? Tendo Siegfried esquecido sua amada, nós ofereceremos a mão de Gutrune para que ambos se casem! Siegfried não a recusará, pois Gutrune é uma bela mulher e possui muitas riquesas e um reino!

-Bem, e quanto a mim?- perguntou Gunther, ele próprio sem poder escutar muito tempo sobre a felicidade alheia sem antepor a sua própria.

-Tendo casado com Gutrune, peça-lhe que vá em busca de Brunhild e a traga para vós! Apenas ele pode atravessar o anel de fogo que Loki ali deixou para protegê-la. Então casando-vos com Brunhild, herdarás seu tesouro!

Gunther e Gutrune ficaram então mais esperançosos com os planos de Hagen...

-Mas como faremos para encontrá-lo? Dizem que ele anda atrás de aventuras pelo mundo.
-Siegfried está prestes a chegar às terras do Reno. Não demora muito e ele baterá em nossos portões. Fiquem atentos para que quando ele chegar, possamos fazer-lhe uma bela recepção. Gutrune o receberá com uma taça da poção que o fará esquecer Brunhild e se apaixonar perdidamente por Gutrune. Uma vez rendido seu amor, basta apenas convencê-lo para que traga Brunhild para Gunther, e junto com ela seu tesouro.

"quanto a mim..., pensa Hagen,...terei em minhas mãos o Anel dos Nibelungos...."

A reunião se encerra desta maneira, cada um dos irmãos partindo para seus quartos, felizes. Mas o mais feliz de todos é sem dúvida Hagen...vendo frutificar seus planos ardilosos.

E então mais uma vez a roda do destino gira pela ambição do Anel...e apenas o mal pode advir disso...
[Gutrune oferece a taça à Siegfried]

Siegfried é então recebido com todas as pompas de um herói. Adimirado com toda a festa e cortejo ele se dirige ao rei. Mas é Hagen quem fala primeiro com ele, dando as boas vindas:
-Salve grande Siegfried! Bravo herói dos germanos!
-Seja bem vindo ao meu reino! São suas estas terras, meu castelo e meus vassalos!- diz cortezmente Gunther.
Siegfried então, reconhecendo a majestade do rei, curva-se sem nenhum constrangimento, feliz por toda a recepção...sentindo-se pela primeira vez reconhecido como um grande herói.

-Soberando, nada tenho em meu poder para oferecer-vos, a não ser meu braço e minha espada.
Hagen sem poder se conter se adianta e pergunta:
-Mas e o tesouro? Não é então verdade que você derrotou o dragão Fafner e tomou posse do tesouro dos Nibelungos?
-Ele nada significa para mim- diz Siegfried, indiferente- Deixo-o na caverna aos cuidados de minha amada Brunhild.
-Mas nada trouxe consigo do fabuloso tesouro?
-Apenas este elmo, mas não posso usá-lo.
-Apenas este elmo? -exclama Hagen estupefato.- Este é o famoso elmo de Tarn! Que pode metamorfosear seu dono em qualquer coisa que o deseje! Foi graças a ele que Fafner pode se metamorfosear no dragão que você derrotou! Além disso pode levá-lo aonde quiser e ainda acha isso pouca coisa?!

Siegfried parecia alheio ao falatório de Hagen...preferia ficar observando maravilhado a natureza e o povo que o recebia com tanta alegria. -Então sou tão grande assim?- pergunta-se ele, sem poder acreditar no próprio sucesso.

-E o que mais trouxe do tesouro?- pergunta Hagen, retirando Siegfried de seu momento de alegria.- Por acaso não achou um pequeno anel?
-Ah sim, mas deixei-o com Brunhild em penhor do meu amor.

Siegfried é conduzido pelo cortejo ao salão do trono, cercado sempre por Gutrune e Hagen, que não o deixavam só. Durante a recepção, Gutrune se adianta e lhe oferece uma taça:
-Beba valoroso herói! Aceite das mãos de uma princesa esta taça de olorosa bebida.- diz ela pondo todo encanto em sua voz.- Beba-a em homenagem a sua amada Brunhild.

Por um momento Siegfried pensa em sua amada e então bebe da taça. Mas esta não é outra senão a poção maligna de Hagen. Ele se sente um pouco tonto e logo suas lembranças de Brunhild desaparecem, ficando apenas diante de si a imagem da bela Gutrune.

-Vejo que se agradou de minha irmã.- exclamou Gunther. Siegfried não responde, mas seu sorriso o denuncia.
-Eu também trago meu coração inquieto, meu amigo, e anseio por conquistar uma bela mulher, da mais nobre estirpe que possa haver, visto que é filha de um deus!- começa Gunther.
-Filha de um deus....-sussurra Siegfried, ainda grogue do efeito da bebida enfeitiçada.
-Sim, ela vive num rochedo cercada por um fogo mágico...-continua.- Apenas um herói pode atravessá-lo. Se você me ajudar a conquistá-la, Siegfried, eu estaria disposto a recompensá-lo com o bem que mais desejasse!
Siegfried observa Gutrune colocada estratégicamente à sua frente.
-Eu o ajudarei, nobre Gunther, a desposar esta mulher- responde Siegfried por fim.- Usarei o elmo mágico e me metamorfosearei em ti e a conquistarei!

E assim Hagen se adianta para selar o pacto com o sangue de Gunther e Siegfried. No mesmo dia eles seguem Reno acima enquanto Hagen fica a esperar com Gutrune no castelo o regresso.
Sozinho na sala do trono, Hagen, o filho do nibelundo, entrega-se aos seus planos malignos e ao prazer de ver que tudo está saindo como o planejado:
-Em breve meus irmãozinhos estarão com suas aliançazinhas idiotas....mas eu terei em meu dedo, finalmente, o anel dos nibelungos!

[continua...]

domingo, 27 de dezembro de 2009

[Áine de Knockaine e o Solstício de Verão]

Existem duas colinas, perto de Lough Gur (Irlanda) onde até hoje ocorrem ritos em honra de uma Deusa Fada. Uma, a três milhas a sudoeste é chamada Knockainy e recebeu esse nome em homenagem a Áine. A outra é Knockfennel, ás margens do rio Lough Gur, dedicada a Áine e sua irmã Fennel. Áine era filha de Eogabail, um rei Tuatha de Dannan, que teria sido o filho adotivo de Manannan Mac Lir.

As lendas dizem que ela tinha o poder de se transformar em um cisne branco e numa égua vermelha, que se chamava Lair Derg, e que ninguém poderia correr mais rápido do que ela.
As pessoas acreditavam que, na noite do Solstício de Verão, donzelas que ficassem acordadas até tarde poderiam ver Áine e que a Deusa revelaria a colina onde viviam as fadas. O mundo das fadas só poderia ser acessado e se tornar visível pelos portais mágicos, chamados de anéis ou círculos das fadas, que seriam indicados pela própria Deusa. Por intermédio de uma cerimônia, as donzelas subiam até a colina de Knockainy portando suas tochas e então começavam vários jogos e competições até que Áine surgia entre elas. Após agradecer pelos ritos que as donzelas tinham feito, em sua homenagem, a Deusa escolhia algumas das moças e revelava onde ficavam seus portais de acesso ao reino do povo pequeno.

Ainda de acordo com as lendas, Áine pode ser vista algumas vezes penteando seus longos cabelos dourados, somente com metade de seu corpo para fora do lago. Dizem os mitos que em tempo de calmaria e águas claras, alguns podem ver sob a colina Knockainy o castelo do encantado filho da Deusa das Fadas, Geroid.

:::: Áine e Geroid ::::

Quando Áine estava sentada nas margens do rio Camog, em Lough Gur, penteando seus longos cabelos dourados, Gerold, o Conde de Desmond, a viu e se apaixonou perdidamente por ela.
Ele dominou Áine, agarrando o manto dela, e então a fez sua esposa. Seu filho, Geroid Iarla, era também conhecido como Conde Fitzgerald, "O Mago". Logo que a criança nasceu, impuseram ao Conde Desmond um tabu, que lhe negava expressar surpresa a qualquer coisa que seu filho fizesse.

Já adulto, numa noite em um dos banquetes de seu pai, Geroid decidiu surpreender algumas donzelas, demonstrando suas habilidades mágicas, entrando e saindo de uma garrafa. Seu pai não pôde retrair um grito de surpresa e adimiração com as habilidades do rapaz.

Geroid imediatamente se transformou em um ganso selvagem e voou para longe, pelo rio Loug, em direção à Ilha Garrod, para repousar sob seu castelo encantado.

Decepcionada com seu marido que não tinha respeitado os votos estabelecidos, Áine desapareceu em Knockainy, na forma de um cisne. Dizem que ela ainda continua lá, num castelo de fadas, e que Geroid vive sob as águas do lago, esperando o momento correto de retornar para expulsar todos os mau feitores da Irlanda.

[[_l_]] Retirado do livro Todas as Deusas do Mundo

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

([ Ostara ])


Uma vez há muito tempo, quando a Deusa andava jovem sobre a Terra, ela foi chamada Ostara. E o tempo de Ostara era um tempo de flores e deleite, cores e cheiros, e sabores que faziam os sentidos acordarem para o genuíno prazer de existir.

E havia uma canção que se ouvia nessa época, a sinfonia dos diversos cantos dos animais no cio, a doce música dos ronronados, grunhidos, mugidos, trinados de pássaros, que prometia delícia e continuação da vida.

Ostara caminhava cercada de animais, com aves em volta e dançava pelos campos coberta de flores. Todos a amavam e como se podia deixar de amar a personificação de tempo tão feliz e afável?

Mas um dia, já ao final do verão, Ostara olhou para a Lua Cheia no céu e seu coração se encheu de saudade dos Templos da Lua. Naquele momento ela decidiu que iria ver novamente a Senhora dos Céus... E ,sem aviso, livre e impulsiva como toda donzela, partiu.....

No dia seguinte todos a procuraram em vão, e as flores começaram a murchar, o vento ficou mais triste e mais lúgubre seu assobio, a terra esfriou e os animais já não cantavam suas canções de alegria...

De todos os animais o que mais sentia a falta de Ostara era a lebre. Quando ela partiu os animais comentavam que a jovem tinha ido para a Lua e toda noite a lebre olhava para o céu em busca de sua senhora amada. Viu muitas vezes a Lua diminuir e crescer e sua saudade aumentava no peito, tinha que haver um meio de pedir à senhora que voltasse! Não era possível viver sem ela! E o coraçãozinho da lebre apertava no peito, uma angústia terrível que ela não sabia como expressar....

Nessa aflição, uma noite, de Lua Cheia, a lebre subiu a uma alta colina, pretendendo estar mais perto de sua senhora Ostara. Fazia muito frio e a neve tornava difícil andar. Era uma noite triste e a tristeza do animalzinho não tinha modo de se expressar... mas naquela noite também subiu a colina uma alcatéia. Os Lobos se postaram em círculo e quando o disco lunar apareceu ,enorme, um coro de uivos se elevou majestoso...

A lebre acordou de sua tristeza e frio... Pensou : “Ora, se todos os animais chamassem assim, bem alto, Ostara vai nos ouvir, vai ouvir nossa tristeza e voltar!” e a partir daquele momento ela se empenhou em aprender a uivar....

Se você acha que foi pouco o esforço da pequena lebre, não a subestime... ela tentou muitas vezes, noite após noite, mas ela não era um lobo! Mesmo assim , uma noite, quando a Lua cheia apareceu, ela fez um esforço supremo e começou a uivar! Sim , ela uivava bem alto! E ensinou o mesmo a todas as lebres...

Perdida nos sonhos da Lua, Ostara acordou com um som diferente... Quem uivava para a Lua agora? Não eram os animais conhecidos! Olhando o que havia na Terra, a jovem Ostara se comoveu com a lebre e logo entendeu o esforço e o amor por detrás daquela nova canção.

Naquela noite Ostara decidiu retornar a Terra e, com sua chegada, o tempo esquentou, as cores voltaram e a cada passo seu as flores brotavam em profusão... As canções se faziam novamente ouvir e dentre todos os animais, Ostara pegou a pequena Lebre em seus braços e a colocou, gentil, no colo... disse a ela: “Pequena amiga, obrigada pelo seu amor ! O que você deseja como recompensa?”.

A lebre, embevecida de amor e tonta com a beleza da donzela, respondeu: “Senhora, a única coisa que quero é que da próxima vez seja mais fácil chamá-la de volta!”

Ostara pensou por um momento e depois concedeu à lebre o dom de se transformar em um pássaro mensageiro, pois quando fosse tempo de despertar de seu sono da Lua, a lebre, mudada em pássaro, poderia alçar vôo e alcançar a Lua, chamando-a e dando à terra a certeza de que Ostara sempre voltaria.

E Ostara acrescentou: “Pequena lebre – a você, que já é tão fértil, concedo, na forma de pássaro a guarda dos ovos sagrados que são a chave da continuidade da vida... Que você seja deles a guardiã e os distribua entre as pessoas quando necessário, mostrando a elas todas as possibilidades, que são meu poder e minha dádiva.”

E desse momento em diante, a lebre distribui os ovos de Ostara, como recompensa de amor e dedicação.
Aquela primavera foi feliz e todos se alegraram sabendo que, mesmo que o inverno chegasse, um dia a lebre buscaria Ostara de volta.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

[O Encontro entre Siegfried e Brunhild]


Capitulos anteriores:

Em seu caminho para o monte onde Brunhild estava adormecida em meio a um círculo de fogo, Siegfried segue o pássaro dourado em meio à floresta....

Em outro lugar....Odin vai buscar os conselhos sábios de Erda...a antiga Deusa. Ele pede ajuda para parar com algo que parece sem fim...um ciclo de destruição...a própria mudança do tempo. Mas Erda lhe diz que o tempo está passando....o dela já passou...e que agora o dele também passará. Inconformado, Odin sai da caverna onde a deusa se encontrava...deixando-a envolta em seus sonhos....enquanto se senta numa pedra para esperar pelo encontro...

Odin avista um pássaro dourado, que se assusta na mesma hora e voa para outro lugar. Da floresta surge Siegfried e se depara com um andarilho, que usa um chapéu de abas largas caido sobre um olho...e uma lança que usa como bengala (eu não me conformo como alguém poderia não ver o óbvio) . Siegfried e Odin começam a conversar, mas logo discutem, pois o jovem é imprudente e grosseiro...e o velho é orgulhoso. É então que Odin se revela, e diz que está ali para impedir que Siegfried consiga chegar até Brunhild...pois quando isso acontecer...ele perderá a virilidade e a força. Os dois lutam e Siegfried parte então a lança do avô em dois. Odin se ajoelha desolado...enfim seu tempo passou...ele então dá passagem à Siegfried para que encontre Brunhild.

Siegfried sobe o rochedo...e atravessa o fogo sagrado que circunda o local onde a donzela se encontra. As chamas tremulam e sobem ao céu sem lhe causar dano...ele encontra um guerreiro deitado sobre uma longa pedra, vestido por uma armadura reluzente, com a cabeça oculta por um belíssimo elmo (a armadura sagrada da valkyrja).
"Quem será o guerreiro que aqui descansa?", perguntou-se Siegfried, sem poder ainda atinar com o que verdadeiramente o esperava debaixo daquela armadura, pois jamais havia visto antes uma mulher.

Mas seu coração pela primeira vez bate num ritmo estranho...descompassado. "O que se passa em meu peito? Que sentimento é este que invade meu coração e faz meus joelhos fraquejarem?" pergunta-se sempre, enquanto tenta despojar o corpo que tem diante de si da sua armadura.

Siegfried retira primeiro o elmo, o que faz com que os cabelos dourados de Brunhild caiam em ondas por sobre a cota reluzente.

Um arrepio de espanto desenha-se em seus lábio, e é este mesmo sentimento que faz com que uma exclamação surda escape de sua boca:
"Este guerreiro é diferente de todos os outros!!"

Os prendedores da malha que mantem o peitoral p
reso resistem aos dedos de Siegfried, que decide usar de sua espada para cortá-los logo fora, tal é a ansiedade que o domina.
Tão logo consegue alcançar seu objetivo e retirar a armadura, o jovem é tomado por uma vertigem, pois é a primeira vez que seus olhos pousam sobre o corpo de uma mulher.
Assustado, Siegfried já pode agora dizer que sabe o
que é o medo, mas de outra natureza, posto que pode ser belo também.

Tomado por seus instintos, Siegfried beija os lábios rubros da antiga valkyrja. Após um longo tempo, Brunhild reabre lentamente seus olhos.
"Quem é você?" a valkyrja pergunta...ao que Siegfried dá-se a conhecer, revelando ser aquele que ousou atravessar as chamas apenas para poder despertá-la de seu sono.
Brunhild imediatamente, então, o reconhece, po
is já sabia da existência dele antes dele nascer (tendo ajudado a mãe e o pai do menino)-(o pai nem tanto por fim)-(ambos seus irmãos)

Apesar de feliz por ter sido finalmente retirada de seu longo exílio nas trevas por aquele jovem que tanto aguardava, mostra-se entretanto reticente quando o herói dá as primeiras mostras de seu desejo, pois tendo beijado-a uma vez, nem de longe espera ter sido a última.
Tentando preservar o último signo de sua divindade, Brunhild pede a Siegfried que se contenha, pois não devem levar adiante seus desejos.

Sem se dar conta ela revela seus próprios desejos, mas para se ver livre dos anseios de Siegfried, ela conta então toda a história de como veio a perder sua antiga condição de deusa para ser, a partir de agora, uma simples mortal.
Siegfried, no entanto, faz pouco caso de seu discurso, pois mortal ou imortal, deusa ou humana, o fato é que seu desejo arde com cada vez maior intensidade: Ele a despertou, portanto ela é sua noiva.

Brunhild sente o coração tomado de temores diante
do medo de perder a virgindade, a última lembrança de sua divindade...mas diante dos apelos de Siegfried, sua parte humana agora fala mais alto e ela cede, de uma vez, às carícias de seu salvador.

Após passar a noite juntos, Siegfried e Brunhild acordam para uma nova era, a despeito de qualquer destino nefasto que as Nornes teceram...Siegfried emerge da caverna vertido com as roupas, armadura e armas de Brunhild. Mas não apenas isso...a antiga valkyrja também transmitiu ao jovem que ela agora ama todo conhecimento de que era detentora. Brunhild cedeu tudo para Siegfried pois agora ela é apenas uma humana. Siegfried promete-lhe nunca esquecê-la.
Brunhild cede então seu cavalo Grane, e Siegfried entrega a ela o Anel dos Nibelungos como prova de seu amor.

Siegfried então parte para conhecer o mundo e rea
lizar proezas...e deixa Brunhild no alto do rochedo...com a promessa de que nunca se separarão...
Dias depois Siegfried entra nas terras do rei Gunther....o Anel dos Nibelungos no dedo de Brunhild toma então um brilho obscuro e sinistro......


^^...aguarde os próximos capítulos xD.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

[Mas o que aconteceu à Sieglind?]


Capitulos anteriores:

Desde que Brunhild foi deixada no alto do morro, cercada de chamas, esperando por alguém que não temesse Odin, se passaram muitos anos... Agora devemos nos perguntar: Mas o que afinal aconteceu à Sieglind???

Sieglind foi levada por Grane, o cavalo de Brunhild, para as imediações da floresta onde habitava Fafnir, o dragão. Depois de muito vagar, passar fome, frio e os perigos de estar numa floresta sozinha cheia de animais, lá ela foi encontrada por ninguém menos do que Mime, o irmão que foi escravisado por Alberich junto com todos os Nibelungos. Tendo fugido da tirania do irmão...Mime foi morar numa caverna na mesma floresta. Ele amparou Sieglind em seu refúgio, tornando-se seu protetor e amigo. Mime contou à Sieglind toda sua história (do ouro do Reno até a escravidão de seu povo e a loucura de seu irmão) e Sieglind contou-lhe também sua história...mas ocultou uma parte...que jamais teria contado se não tivesse sido obrigada pelas circunstâncias.
Estava chegando a hora de seu parto...e um pressentimento ruim tomava conta dela. Por fim quando chegou a hora, apenas Mime, seu amigo fiel, estava ao seu lado. Quando Sieglind deu à luz Siegfried, também gerou a morte para si mesma. Em seus momentos finais se viu obrigada a contar sobre o destino do filho para seu amigo Mime, o único que de um jeito ou de outro, estaria ali pra criar o menino. Ela contou à Mime que Siegfried era o escolhido...para reforjar Notung...matar o dragão Fafnir e retomar o Anel dos Nibelungos. Ao dizer essas últimas palavras, Sieglind fez Mime prometer que protegeria seu filho e estaria ao seu lado, ao que Mime confirmou que estaria sempre com ele....Então Sieglind deu seu último suspiro e morreu. Mime agora se volta para o menino que tem uma grande tarefa pela frente.


Siegfried vai de encontro ao seu destino

Mime realmente criou Siegfried com atenção, mas não sei se poderia chamar de carinho. Ele disse ao menino que era seu pai, e ocultou toda sua história. Com o passar dos anos, o jovem Siegfried odiava cada vez mais voltar para casa...pois não suportava a companhia de Mime, pra ele sempre um covarde.
Siegfried gostava de ficar na floresta, caçando animais e observando a natureza. Mime se dedicava à forja de espadas para o rapaz, mas as espadas, por serem feitas por um covarde, sempre se quebravam.

Um dia, Siegfried observou uma matilha de lobos e viu que os pais eram iguais aos filhotes....observando os animais, via que todo animal tinha um pai e uma mãe, e neles eram semelhantes...ao se curvar para beber água num regato, observou seu próprio rosto e viu que jamais poderia ser filho de Mime, e foi tirar satisfações com o pai. Após prensar o anão na parede pelo pescoço, finalmente ele ouviu a verdade, ou parte dela: Mime não era seu pai afinal...seu verdadeiro pai morreu numa batalha...sua mãe morreu ao dar-lhe à luz...e Mime a encontrou na floresta e cuidou dela, criando Siegfried após a morte de sua mãe. Seu pai havia deixado uma espada divina, feita em pedaços, para ser reforjada. Siegfried diz então que Mime tem até o anoitecer para reforjar a espada e sai para a floresta novamente...perdido em seus pensamentos depois dessa revelação.
Mime recebe então, a visita de um estranho andarilho...com um manto esburacado...um grande chapéu de abas largas caido sobre um dos olhos...e usando uma lança como bengala (errr xDD~~~Gandalf? ahahhahahah). Esse estranho andarilho propôs a Mime um jogo de adivinhações. Através desse jogo, o anão descobre quem deve reforjar a espada Notung, que ele jamais pudera reforjar...e esse não era outro senão "aquele que não conhece o medo". Indo embora o andarilho...que não era outro senão Odin (e quem mais ele poderia enganar com um chapéu cobrindo um olho e aquela lança super na cara? xD)...chega então Siegfried e surpreende Mime em seus pensamentos sobre o jogo de adivinhações. Então Mime pergunta a Siegfried: "você sabe o que é o medo?"...e Siegfried responde: "medo? o que é isso", assim Mime descobre que é Siegfried quem deve reforjar, afinal, a espada. Mime conta então sobre o dragão Fafnir, que guarda o tesouro e o Anel de Poder, e convencido de que agora sua vida tinha um propósito, Siegfried corre para a caverna para reforjar a espada. Enquanto Siegfried forja Notung, Mime prepara uma poção sonífera para dar a ele quando matasse o dragão e estivesse bem cansado e com sede. Assim Mime cortaria a cabeça de Siegfried com a própria espada do herói, e pegaria o preciossssssssssso para si (digo....o anel...xDD)-(eu não resisti poxa!).

Siegfried e Fafnir

Após reforjar a espada, Siegfried parte para o local onde o dragão está. Mime, sempre corroido e aprisionado por seu medo de tudo, e sua covardia, enche o saco de Siegfried com cautelas e cuidados. A única coisa que Siegfried quer saber é se o dragão tem coração, e se está no lugar habitual. O anão responde que sim, e Siegfried já de saco cheio deixa o pequeno covarde pra trás.
Quem está ali por perto pra observar todo o desenrolar da situação é Alberich, o forjador do anel, e Odin, o segundo possuidor. Fafnir o terceiro possuidor do anel está a adimirar seu preciosssssssso anel, extasiado com sua beleza. Fafnif se transformou em dragão com o elmo de Tarn, outro objeto forjado por Alberich com o ouro do Reno, mas por perceber que essa forma era muito mais imponente que a de um gigante...e muito mais poderosa...deixou de voltar ao normal...e acabou por ficar assim pra sempre.

Siegfried acaba por acordar o dragão de seus devaneios, e o dragão sai da caverna. Destemido, Siegfried parte para o ataque. O dragão derrama veneno por sua boca cheia de dentes do tamanho de punhais, sua calda dura como o aço tenta acertar o herói. O dragão pula para cima de Siegfried, que pula para o lado numa esquiva. Fafnir consegue agarrar Siegfried com suas garras, e abre a bocarra para fazê-lo em pedaços. Siegfried então corta a lingua do dragão, e este o larga urrando de dor. Então Siegfried sobe no rochedo e desfere um golpe na face do dragão...e enquanto esse se debate entre espasmos de dor e rugidos ferozes, Siegfried crava-lhe a espada no coração, até o cabo. O sangue do dragão espirra em jorro sobre ele, no mesmo instante uma lufada de vento faz voar as folhas das árvores, e uma delas cai sobre as costas de Siegfried. O sangue do dragão cobre seu corpo inteiro, menos sobre a folha que ficou depositada sobre seu coração na parte das costas. Tendo ferido a mão, Siegfried a leva até a boca instintivamente, mas como esta estava coberta com o sangue do dragão, Siegfried passa imediatamente a entender a linguagem dos pássaros. Um pássaro dourado o comunica que dentro da caverna existe o tesouro que é dele agora, e que tome cuidado com Mime, que planeja matá-lo. Quando Mime oferece-lhe o odre cheio de sonífero, Siegfried joga-lhe na cara e corta sua cabeça...o prêmio de sua perfídia.
Novamente o pássaro fala com Siegfried...e conta-lhe sobre Brunhild...no topo da colina...e Sigmund segue o pássaro para encontrar sua companheira.