quarta-feira, 23 de junho de 2010

[Tarvos Trigaranus - O Touro e os Três Grous]

Há muito tempo quando o mundo era jovem, uma coisa maravilhosa e extraordinária aconteceu. No início da Primavera, próximo ao poço da Deusa Coventina, um filhote de Touro veio ao mundo. Logo no início se poderia ver que não era um filhote de touro comum. Seu pelo vermelho e dourado brilhava e a sua forma era perfeita. Os seus olhos eram os olhos do Sol.

O Touro dourado estava a correr e a brincar quando três grous apareceram. Eles dançavam em seu redor como um círculo solar, e ele, de repente, muito solenemente, curvou a sua cabeça perante eles três vezes.

Como a Primavera se estendia até parte do início do Verão, Ele cresceu muito depressa e logo se tornou um Touro adulto. Nunca houve um touro como ele, e a sua fama espalhava-se cada vez mais. Animais, mulheres, crianças, homens e Deuses vieram admirar a sua beleza. Mas aonde quer que fosse, os três grous iam também. Eles eram os seus companheiros inseparáveis.

Os seus dias eram cheios de alegria sem fim, e o mundo cheio de flores, pois nessa época o mundo não conhecia o Inverno.

Esus, o Deus Caçador, vagueava pelos campos e florestas do mundo procurando um animal valioso para seu apetite, mas não encontrou nenhuma animal que o satisfizesse.

No início de uma bonita manhã, ele estava num campo onde viu o Touro e os três grous. Bastou olhar para o Touro e Esus soube que a sua busca tinha terminado. Ele tirou a sua poderosa lâmina e chegou-se até o Touro adormecido, mas os três grous perceberam o perigo e deram um grito de alarme!

O Touro levantou-se para entrar em batalha com Esus, pois seus chifres dourados eram armas formidáveis. O Deus e o Touro divino chocaram-se em combate.

Eles lutaram durante todo o dia e toda a noite, mas nenhum dos dois parecia ser melhor que o outro. A luta continuou por muitos dias.

Foi numa noite, na escuridão da lua, quando o Touro finalmente começou a ter as suas forças abatidas, debaixo de um grande salgueiro, que Esus derrotou o Touro divino com um golpe mortal.

Seu sangue foi derramado pelas raízes do salgueiro, e as suas folhas tornaram-se vermelho dourado nesse mesmo instante, por verdadeira tristeza e mágoa.

Os grous fizeram um enorme som de choro. Um deles voou para a frente, e com um pequeno recipiente, pegou um pouco de sangue do Touro. Os três grous partiram voando para o sul.

Uma escuridão ameaçadora desceu à Terra. As flores murcharam e as folhas das árvores caíram. O sol perdeu o seu calor. O mundo ficou gelado e a neve caiu pela primeira vez.

A humanidade rezou para que a Toda mãe trouxesse o calor de volta, ou todos pereceriam. Ela ouviu e sentiu pena da natureza.

Os três grous voltaram do sul, com um deles ainda segurando o recipiente. Ele voou para o salgueiro onde o Touro divino tinha sido assassinado e derramou o seu sangue pela terra. De repente, surgiu do pó um bezerrinho, renascido da Mãe-Terra!

Toda a natureza se rejubilou. O verde e as flores cresceram, as folhas brotaram das árvores e a Primavera voltou ao mundo.

Porém o Deus Caçador, Esus, ouviu falar sobre o renascimento do Touro e procurou por Ele.

Esse foi o início do ciclo que persiste até hoje. Esus sempre derrota o Touro divino mas a Mãe-Terra sempre o faz renascer.

A história de Esus e Tarvos é uma representação simbólica do caminho do Sol à medida que se move através do ciclo anual.

Tarvos é um símbolo da vida, renascido a cada ano das sementes do ano anterior. Esus é um símbolo da morte que caça durante toda a vida. Tarvos, acompanhado pelos três grous cinzas, que são as representantes da Deusa, move-se do nascimento ao auge da vitalidade e da vida, em que é morto por Esus, que simboliza a colheita e as forças da morte. Mas o seu sangue é recolhido tornando-se o sangue da vida e a semente para a renovação dos ciclos da vida.

[[_l_]] Retirado do livro Rituais Celtas de Andy Baggott
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Esses dias eu tive um sonho bem curioso. Sonhei que estava na casa de um tio meu (embora a casa do sonho não fosse a dele). A casa estava toda escura...as pessoas estavam dormindo...só eu estava acordada. Estava de dia lá fora e eu fui olhar a rua. Da garagem, pelas grades, eu vi um touro dourado caminhando na rua. Fiquei impressionada pois ele não parecia com nada que eu tivesse visto (tipo...só vi touros brancos...pretos...marrons no máximo...mas amarelo??)-(e muito peludo!). Sai correndo pra dentro da casa pra tirar uma foto com o celular da minha mãe. Nessa que eu tirei a foto, o Touro me viu... Eu fiquei assustada e entrei pra dentro da casa, confiante que o portão estava trancado e o Touro não entraria. Foi ai que eu vi ele empurrando o portão!!! E sem fazer força nenhuma...como se o portão só estivesse encostado, ele entrou pela garagem. Desconcertada, fechei a porta da sala confiando que ele não ia querer entrar na casa, enquanto tentava avisar as pessoas da casa que tinha um touro na garagem. O Touro empurrou a porta da sala!!! E foi entrando! Não com raiva...nem correndo...ele simplesmente entrou! Eu sai andando rápido (pq não queria que ele pensasse que eu estava com medo)-(e eu estava com um pouco), e me fechei no quarto dos fundos. Estavam todos lá...meus parentes...dormindo! E eu gritando que tinha um Touro amarelo entrando na casa! Nessa o Touro abriu a porta do quarto!! Ele tinha uma cabeça enorme! Era todo peludo e dourado (e eu sabia que era divino...de alguma forma eu sabia). Nessa hora eu acordei. Virei pro lado e tentei sonhar com outra coisa. Mas todos os sonhos que eu tinha...lá vinha o touro entrando por alguma porta pra chegar perto de mim, se intrometendo nos meus sonhos! Então decidi voltar no sonho da casa. Meu tio tentou assustar o Touro! (ou atirar algo nele) Eu o impedi com medo de ofender o animal. Uma menina que eu não sei quem era, mas acho que era eu mesma criança, chegou perto do touro e encostou a mão na cabeça dele. Ele se desfez em pessoas/deuses/fadas. Havia uma mulher de branco. Então ele voltou a ser Touro novamente, e o sonho acabou. Foi engraçado que a casa estava toda escura antes do Touro entrar nela...mas enquanto ele caminhava pra dentro, as luzes iam se acendendo sozinhas...e quando ele chegou no quarto todos acordaram.
Ele era parecido com essa imagem que eu consegui pegar pelo google:

Parece que esse tipo de touro é da Escócia (Highlands). Foi estranho pq esse sonho foi na Lua Nova antes de Yule. Eu pensei então: será que existe algum mito sobre um Deus Touro que tenha a ver com o solstício de inverno? E lá estava Tarvos.

O Touro simbolizava para os celtas a força, a realeza a fertilidade. Existia um ritual druida chamado tardh feis (banquete do touro), onde um druida xamã comiam a carne de um touro branco recém-abatido e depois embrulhava-se em seu couro. Em seguida, deitava-se e dormia enquanto quatro druidas cantavam ao seu redor. Isso induzia à um sonho profético que indicava quem deveria reinar como legítimo rei.
O Grou é um passaro que está ligado às mulheres, mas em geral com o lado mais escuro do feminino. É geralmente relacionado à morte e ao Mundo Subterrâneo, como na história do herói irlandês Finn, que tem um encontro com Cailleach an Teampuill ("A Bruxa do Templo") e seus quatro filhos. Os filhos aparecem na forma de quatro grous da morte que podem apenas tornar-se novamente humanos se forem espargidos com o sangue de um touro mágico.
O Salgueiro é uma árvore que gosta de lugares com muita água, e quando seus ramos são cortados e plantados, cria raízes e transforma-se numa nova árvore; daí sua associação com o crescimento e renascimento. Sua afinidade com a água fez com que fosse associado à Lua também.

Existe um pilar chamado Pillar of the Boatmen (Pilier des Nautes) que contem imagens em baixo relevo de um touro e tres grous debaixo de uma árvore (salgueiro). Sobre o entalhe, está escrito [Tarvos Trigaranus]. Num dos lados desse pilar também esta Esus, cortando uma árvore de salgueiro com um machado. O pilar foi construido do lado de fora de um dos templos da antiga cidade Galo-Romana de Lutetia, uma ilha no meio do rio Sena. Em algum momento antes do terceiro século, o pilar foi quebrado em dois e usado para reforçar as fundações das paredes ao longo do rio. A catedral cristã de St. Etienne foi fundada por Childebert em 528 e.c. no local do antigo templo Galo-Romano. Notre-Dame de Paris foi construida sobre ela em 1163 e.c.
O pilar foi re-encontrado no dia 6 de março de 1710 durante a construção de uma cripta embaixo da nave de Notre-Dame. Nem todas as partes foram recuperadas; para 3 das fileiras restaram apenas a parte superior. Depois da descoberta, os blocos de pedra foram tomados pelo Hôtel de Cluny, um edifício eclesiástico medieval construído por cima dos restos de uma antiga casa de banho romano do segundo século. Este se tornou o Musée de Cluny e logo, o Musée national du Moyen Age.
Em 2001, os blocos foram restaurados, retirando a pátina preta da sujeira que se tinha acumulado na superfície da pedra junto aos três séculos desde a descoberta. As pedras restauradas estão mais uma vez na exposição no museu.







5 comentários:

Blue Hound disse...

Amei este seu post! Adorei a forma como você conseguiu criar um mito próprio a partir da simbologia do Touro e do que nos resta sobre Esus e dos ritos druídicos.

Quanto ao seu sonho, achei muito interessante, pois eu ultimamente também tinho visitas em sonhos. Nomeadamente Odin.

([salix sam]) disse...

[eu não criei o mito xD...é do livro Rituais Celtas^^]

...na verdade eu acho que Esus não está cortando a árvore....mas espreitando Tarvos por trás da árvore...como no mito.

S. Thot disse...

Tambem sonhei hoje, Salix. Foi o que me tirou da cama neste domingo friento para escrever. Sonhei que estava atrasado para o trabalho e que tinha asas nos pés e cabeça, como Mercúrio!

Levantei com vontade de postar e ainda estou trabalhando no texto. Logo terá novidades sobre isso, rs!

Abraços e que Morfeus a leve para novas terras e experiências.

Daniel disse...

Olá!
Que bom que escreveu novamente! Muito bom! Também adoro a Lorena, do post ai de baixo! rs
abraços

Taróloga Luna Cristalis disse...

Otima postagem ....o mito realmente é encantador...e o Livro ritual celta é mto interessante
Parabens