segunda-feira, 30 de maio de 2011

[Sobre o Falar]


Falais quando deixais de estar em paz com vossos pensamentos.
E quando não podeis mais viver na solidão de vosso pensamento,
viveis em vossos lábios, e o som é uma diversão e um passatempo.
E em muito da vossa fala, o pensamento é um pouco assassinado.
Pois, o pensamento é uma ave do espaço que, numa gaiola de palavras, pode abrir as asas, mas não pode voar.

Há entre vós, aqueles que procuram os faladores por medo da solidão.
O silêncio da solidão revela a seus olhos seus seres desnudos e eles fogem.
E há aqueles que falam e, sem o saber ou prever, revelam uma verdade que eles próprios não compreendem.
E há aqueles que possuem a verdade dentro de si, mas não a expressam em palavras.
No íntimo de tais pessoas, o espírito habita num silêncio rítmico.

Quando encontrardes vosso amigo na rua ou no mercado público,
deixai que o vosso espírito mova vossos lábios e dirija vossa língua.
E que a voz escondida na vossa voz fale ao seu ouvido;
Pois sua alma guardará a verdade de vosso coração, como é lembrado o sabor do vinho.
Mesmo depois que a sua cor houver sido esquecida,
e a taça que o continha não mais existir.

[[_l_]] Khalil Gibran

2 comentários:

Diannus do Nemi disse...

Juro que quando li a primeira frase reconheci a autoria... Amo tanto Gibran.

Sabe que estava pensando em começar a escrever uma série de crônicas comentando os escritos de "O Profeta". O que vc acha? Concepções do Gibran dentro de um olhar pagão. To pensando ainda.

Toparia escrever comigo?

Bjos

([säm]) disse...

Claro! Gibran é uma paixão :3